03 março, 2008

Corcel

No findi me deu uma saudade da infância. Mais especificamente do nosso Corcel dourado. Tivemos aquele carro por muitos anos, no começo era um carro da moda, lindão, novinho (eu recém nascida). Com o tempo foi ficando velhinho, feinho, com umas manchas de sol. Não lembro ao certo quantos anos ficamos com aquele carro, mas acho que uns 10.
Carro com ar condicionado e ar quente era um luxo para poucos na época, vidro elétrico e travas nas portas nem pensar. Nos dias mais frios eu dava um jeitinho de me esquentar. Fica encolhida nos pés da minha mãe. Tudo bem que sempre fui pequena, mas não sei como eu cabia lá. Era apertado e tinha o ar quente que vinha do motor. Ali eu ficava quando íamos para mais longe (viagens curtas claro), encolhidinha no banco do passageiro me esquentando. Nada de cinto de segurança (na época nem era exigido).
Outra diversão era fica deitada olhando o céu naquela parte atrás do banco do passageiro (em cima do porta-mala do lado de dentro do carro, não sei como chama aquele lugar). Adorava andar olhando as estrelas, o céu, principalmente quando estava meio emburrada, o que era bem comum.
Nosso carro foi parceiro de várias aventuras. Como quando meus primos iam lá em casa e no caminho minha mãe começava a narrar umas perseguições. Ela no volante ia fazendo desvios de caminho para “despistar” o carro de trás que estava nos perseguindo. Fazia todo mundo se abaixar para se esconder e cuidar se o perseguidor ainda estava vindo.
Ou as várias vezes que fechamos o carro com a chave dentro. Já tínhamos prática em abrir a janela pequena para pegar a chave do volante.
O Corcel deixou saudades, na verdade não só o carro, mas a infância em si.
Naquele tempo tudo era tão fácil, sem preocupações, sem exigências, sem muitos deveres. Seria bom ser criança de novo.

5 comentários:

Paulo disse...

Poxa, quando eu era criança, meu pai tinha um Corcel, verde musgo. É, verde!
O carro era horrível, mas eu tinha mais que o carro. Eu tinha minha infância, que o fazia o melhor carro do mundo!

Grasi disse...

Meu pai tinha um fiat "caixinha de fósforo"!
A álcool.
Minha melhor lembrança desse caro foi o dia em que meu pai chegou em casa e disse:
-Troquei por uma parati!
=DDD
Depois ele trocou por um corcel branco.
Acabou com ele [não por bater, mas por ser tãããão velho].
Foi pro ferro velho.


Bom mesmo é ser criança... eu por exeplo perdi muito da minha infância tentando ser gente grande.
Sempre apressada.
=P
Saudades de ti
Bjo****

Suani disse...

eu sei bem o que é sentir saudade da infancia...

o pai tinha um Fusca q era da mesma cor que o "frigider"...e sempre tinha que andar segurando a porta do passageiro pq abria sozinha...

ah uns tres anos atras ele foi atras do dono para comprar ele novamente, coisa de reliquia e tal, e o tiozinho não quis mais vender.

saudade Chele...
bjão

Adele Corners disse...

Bah, meu pai tinha um Opala branco coisa mais linda.

Aí meu tio, apaixonado pelo carro, voltou do trabalho do pai dirigindo o Opalão, enquanto meu pai o seguia com o Fiat pôdi do tio.

Aí meu tio bateu, quase morreu e hoje em dia é uma praga cheia de pino e placa de metal na cara.

Fim.

laine. disse...

ahh essas pessoas nostálgicas!!!
me enchem de alegria...

gosto dos teus posts assim, Chele! Quando tu descreve detalhes simples mas cheio de significado, sabe??

saudade tb.