11 abril, 2008

Manifesto

Adorei o manifesto publicado na última edição de revista TPM. O direito de ir e vir das mulheres sem terem o medo de levarem uma cantada descarada ou passada de mão, sem ouvirem um pedreiro gritando “Gostosa” ou sentirem-se invadidas por uma encarada maliciosa.
O motivo pelo qual gostei do manifesto e que todas as mulheres vão gostar: isso já aconteceu comigo. Lendo os depoimentos da matéria eu me enxergava nitidamente.
E olha que sou baixinha, não tenho corpão e nem cabelo comprido para chamar atenção (imagina o que acontece com quem se encaixa neste perfil).
Elogio é sempre bom, uma olhada gostosa também é bem vinda. O ego vai nas alturas. Mas tudo tem um limite. Chamar de boazuda, mexer no cabelo, tentar encostar em uma mulher que não conhece é nojento.
Uma vez ouvi um elogio que achei legal. Estava sentada no meio de duas amigas conversando e um cara que não conhecia passou por nós conversando com outro. Quando ele passou bem atrás de onde estávamos sentados, falou um pouco alto que a loirinha do meio era a mais linda. (LINDA! Não gostosa, boazuda ou coisa do gênero).

Seguem meus depoimentos:

Quando o Planet ainda existia, e as festas no domingo de tarde eram cheias e decentes, eu tinha quase que passe livre, de tanto que ia. Uma vez um cara passou por mim e pegou meu cabelo, achando que fosse um ótimo jeito de chamar minha atenção. Essa cena era bem comum nas festas, os garotos passavam por alguma menina bonita e ao invés de tentar conversar pegava nos cabelos dela ou cheirava. Muito desagradável.

Anos mais tarde, eu e minha mãe tínhamos ido comprar meu material escolar (estava no ensino médio). Era um dia de semana de tarde, calor, um sol lindo. As duas carregadas de sacolas pesadas, com livros e cadernos, descendo a pé uma rua bem movimentada. Dois ciclistas passaram por nós no sentido oposto, por cima da calçada e demos licença para eles. Logo em seguida, eles voltam, descendo a rua bem rápido. E um deles apenas estica o braço e passa a mão no meu peito. Comecei a xingar muuuuito. Nossa gritei horrores, tanto que ele chegou a se assustar e quase caiu da bicicleta. Minha mãe ficou sem entender, quando expliquei ela ficou uma fera. Largou as sacolas no chão e tentou achar alguma pedra. Mas a essas alturas os ciclistas estavam bem longe.

No começo do namoro ia buscar o Tiago todas as sextas na saída do trabalho. Umas duas quadras antes de chegar, passei por um garoto (deveria ter uns 15,16 anos, a mesma idade que eu na época) com muito cheiro de bebida. Já fiquei apreensiva e fui mais rápido para não ficar perto dele. Quando terminei de atravessar a rua senti uma mão no meu ombro. Tirei a mão imediatamente, mas ela voltou a pousar no meu ombro. O bafo de cachaça chegou mais perto e pediu o que eu faria se ele tivesse uma faca. Deixei a mão ali, com medo de que ele pudesse estar armado de verdade. O garoto começou a me pedir dinheiro, pedir onde estava indo. Eu dei R$ 1,00 e deixei meus outros R$ 5,00 bem escondidos no bolso. Falei que estava indo encontrar meu namorado, que ele era bem brabo e que já estávamos na frente do trabalho dele. Nisso vejo o Tiago olhando pela janela com uma cara de apavorado, deve ter imaginado quem era aquele cara abraçando a namorada dele. Quando disse que meu namorado estava olhando o cara pegou minha mão e começou a beijar. Devolveu o dinheiro e disse que não iria assaltar uma “coisa” linda como eu, que era apenas brincadeira. Me livrei dele e entrei correndo na Farmácia, ai expliquei toda história para o namorado que queria ir atrás dele e dar uma surra. Uns 20 minutos depois, vimos de longe ele assaltando um outro guri.


Estava caminhando no centro, indo para aula de inglês. Era um final de tarde chuvoso e as pessoas se encolhiam em baixo das marquises. Eu como sempre, cuidando todos os movimentos ao meu redor, as pessoas estranhas e suspeitas e desviando. Quando passei por um cara que veio reto na minha direção, encarando. Já me assustei e fui mais para o canto. O cara não recuou, nem desviou. Quando passou ao meu lado tentou me pegar. Mas eu não diminui meu ritmo, ao contrário, acelerei meus passos. Ficou me olhando com uma cara de superior, rindo do meu medo. Conseguiu pegar na minha cintura. Mas eu consegui desviar e segui em diante. Cheguei na aula tremendo.

A mais recente foi no último ano de faculdade. Sai de manhã cedo para pegar o ônibus e ir para UCS, na mesma rota que fazia todos os dias: a rua de baixo da minha casa, calma e deserta. Estava no celular dando bom dia ao meu love. Era um dia muito frio, eu estava cheia de blusas e mais a jaqueta. Passei próximo a umas árvores na calçada e senti algo me encostar. Não dei muita bola, achei que era um galho caído ou algo assim, mas resolvi dar uma olhada para trás. Olhei e vi um cara sorrindo, já indo em direção contrária a minha. Não tinha sido um galho, tinha sido aquele desgraçado que passou a mão na minha bunda. Fiquei muda, e do outro lado da linha o namorado pediu se estava tudo bem. Ainda meio sem acreditar falei que achava que tinham me passado a mão. Comecei a descer mais rápido, tentar chegar depressa na parada. Olho novamente para trás e vejo que estava sendo perseguida, às 7:30 da manhã, numa quarta-feira de sol. Fiquei desesperada. Não podia voltar para casa, pois teria que passar por ele, minha mãe e meu pai já tinham ido para o trabalho, meu namorado também estava no trabalho, a casa dos vizinhos todas fechadas. O Tiago disse por celular para eu bater na casa de qualquer um, tocar a campainha, chamar. Por sorte uma das vizinhas estava lavando roupa no tanque que era do lado de fora da casa. Chamei ela, fiz um fiasco na rua. O cara viu, ficou com medo e saiu correndo. Nisso o Tiago me liga que estava vindo me buscar. Agradeci a vizinha e fui até a parada correndo. Logo chegou o príncipe, no carro branco, me acalmou e levou para faculdade.


Em nenhum desses casos eu estava com roupas curtas, justas ou decotadas. Mas mesmo que tivesse, não é motivo para alguém fazer isso. É assédio sexual e dá cadeia. Por isso morro de medo de andar sozinha no centro e quando sei que vou ter que ir comprar alguma coisa ou pagar contas, vou com a roupa mais desleixada que achar, para chamar menos atenção ainda. E alguns homens ainda acreditam que isso é um elogio. Tenho pena de suas mulheres, namoradas, amantes, imagina o que deve ser um presente ou um carinho para eles.

4 comentários:

Adele Corners disse...

Ai o príncipe!

hehehhehe

Coisa q acontece sempre né... um saco homem achar q ser idiota conta ponto.

Será que eles pensam mesmo "mulherada toda adora um nojento"?


Bjs

Ogra Albina Orelha de Elfo disse...

Me identifiquei muito com tua postagem!
Mas a mais pEor que eu passei foi uma cara que me seguiu pela av rio branco [perto da casa do Seco] até a julio... eu só dizia entre dentes pra ele: se tu te meter a besta eu te arrebento no meio!
hehehe
Ele só ficou uns passos atrás de mim dizendo que eu era gostosa e o que queria fazer comigo... nojento desgraçado!
Minha mãe que dizia que pra sair com as filhas ela gostaria de levar um tijolço na bolsa!
A idéia não é má...
=D
Bj linda!

Paulo disse...

Ótimo ponto!
Homem babaca e grosso é o que não falta nesse mundo. O mais triste é que essas criaturas nem se dão conta da estupidez de seus atos. Triste.

Mas tu ganhou a frase dessa semana no meu blog por este post!

Beijos!

Unknown disse...

Isso me fez lembrar meus 13 anos, estudava de manhã ali no La Salle e meu pai sempre me deixava uma quadra antes por ser mais "comodo" a ele. 15 dias corridos, um senhor de meia idade me esperava ali, e me seguia ate a escola, não falava nada, só me seguia...apartir daí meu pai começou a me deixar em frente a escola.
Ou o caso mais recente, quando fui assaltada na frente da casa do Taloco, e o cara tentou me assediar. Horrível... só quem passa por isso sabe o quanto é traumatizante.

E sobre o teu principe, mto chique ele, chegando de carro branco! hehehe
Beijão Chele!