05 agosto, 2009

Sacrifício

Ontem foi um dos dias mais difíceis que já enfrentei: decidir o destino da minha cachorrinha querida, a Nicki.
Uma quase pastor alemão que iria completar 13 anos na metade deste mês. Ela foi a MINHA primeira cadela. Sempre tivemos cachorros na casa, mas eram da minha mãe, do meu pai, da minha irmã. Minha irmã tinha recém perdido a cadela dela e não queria mais se apegar e nós estávamos sem um cão de guarda. Um amigo do meu pai tinha filhotes de pastor com vira-lata. Eu disse que eu iria assumir, que seria meu cachorro. Escolhi a mais brincalhona, que veio brincar com os cadarços do tênis e pular. Ela era linda, bem preta, forte, esperta. As primeiras noites eu passei quase o tempo todo ao lado dela, acalmando quando ela chorava. Cheguei a dormir ao lado da caixa de papelão para ela ficar mais tranquila.
Mesmo sendo SRD (sem raça definida) ela era educada desde filhote. Sempre chorava pedindo para fazer as necessidades do lado de fora da casa. Até que chegou o dia dela ir para fora. O pátio enorme só para ela, era a dona do pedaço. Brincava muito. Rasgou vários blusões meus nas brincadeiras de mordidas. Adorava pular. Odiava gatos.
Logo depois chegou a Bebê, uma cachorrinha de rua que minha irmã adotou. A Nicki, como boa cadela que era, aceitou de imediato, nunca criou confusão. Era braba com estranhos, latia forte, defendia o território. Mas era da paz com novos cachorros.
Ela foi minha companheira, eu ia quase sempre dar um oi para ela e brincar.
Matou gatos, passarinhos, ratos, aranhas, lagartos. Derrubou minha mãe no chão mais de uma vez com as brincadeiras de pular.
Foi minha primeira "filha", acompanhou o começo do meu namoro e logo se acertou com o Tiago. No começo parecia ter um ciuminho dele, mas em pouco tempo já brincava e obedecia ele.
Adorava correr, brincar, pular. Parecia um cavalo trotando, imponente, andando com pose de importante, de guardiã da casa.
Me deu alguns sustos ao longo da vida. Teve alguns problemas com comida, mas tudo se resolveu.
Os anos passaram e as patas começaram a incomodar. Na verdade era um problema na junção da pata com o quadril. No começo era pouca coisa, uns tombos à toa, um desequilíbrio. Gastamos muito com veterinário, raio-x, remédio, injeções. Ela melhorou um tempo e depois foi piorando. Teve um tumor, foi operada e se recuperou super rápido, mesmo com toda idade que tinha.
O problema das patas estabilizou e ela continuava feliz, pulando e caindo. Mas levantava logo e saia correndo novamente. Eu evitava ficar muito com ela, pois cada vez que ela me via ficava maluquinha. Queria pular de fecilidade e correr e os tombos eram piores. Mas desde o começo deste ano ela ficou mal, e o inverno só piorou tudo. Esta semana ela ficou pior ainda e quase não se movimentava mais, caia e não conseguia levantar. Ficava muito tempo no mesmo lugar até ter força para se erguer.
Um telefonema de uma metida (conto em outro post) me deixou mais mal ainda. Ontem resolvemos buscá-la e decidir o que fazer. Levamos no veterinário ao meio-dia e esperamos até 14h para ser atendidos, naquela agonia de não saber o que iria acontecer.
Eu sou uma pessoa otimista e ainda acreditava numa cura milagrosa.
Ele examinou e constatou uma série de problemas: infecção urinária, catarata, febre, além do problema das patas. Nos disse que mesmo com um tratamento intensivo dificilmente ela iria ficar boa, pela idade que tinha. A opção da eutanásia já tinha sido dada a algum tempo, mas a hora da decisão é difícil.
Eu acho que a palavra sacrificar combina mais com esse momento, pois é um sacrifício para o dono decidir o destino do seu companheiro. Saber que a decisão da morte está nas suas mãos é muito ruim.
Eu já tinha consentido antes de chegar no veterinário que se fosse para o bem dela eu iria deixar sacrificarem. Mas na hora da dizer sim é um tristeza sem tamanho. Ainda bem que tinha minha mãe e o Tiago ao meu lado.
Não tive que dizer nada, eles disseram por mim. Eu não conseguia mais, só chorava. Queria ficar para ver, mas acharam que seria muito doloroso. Não consegui mais aguentar, fui para o carro com as lágrimas rolando.
Deixei tudo nas mãos do veterinário: a morte, o enterro, os cuidados.
Estou com um buraco enorme no coração. Meus outros cachorros vão ajudar a passar a dor, mas cada um deles é diferente.
Ela era minha velhinha, minha companheira, minha guardiã.
Nicki fica bem. Tu vai ser sempre a minha nenê. E continua cuidando de mim de onde você estiver.
Te amo muito.






6 comentários:

Vivian Fiorio disse...

Nossa isso é tão triste né... o pior é que sabemos que corremos o risco de enfrentar essas situações, mas mesmo assim é impossível ficar longe dessas coisinhas peludas deliciosas.

Obrigada pela visita Ro!! Bjksss

Adele Corners disse...

Aie.

Triste, muito triste.

Querida da minha favorita!

Grasi disse...

Sei o que tu tá passando, eu to me preparando pra enfrentar isso com o Igor tb.
Não vai ser fácil lidar com esse vazio no peito mas tenho certeza que foi a melhor decisão.
Nessas horas temos que deixar o egoísmo [por querermos eles sempre conosco] de lado e entragar tudo nas mão de Deus.
Chora, relembra e faz teu luto, nada melhor do que estravazar a dor pra poder ir em frente depois.
Tenho certeza que ela tá feliz onde estiver, brincando novamente e correndo faceira.
Bjos fica bem!

Preta disse...

Horrível essa experiência, muito triste mesmo. Devia ter uma vacina contra essa possibilidade.

Mel disse...

Aconteceu a mesma coisa lá em casa com a primeira cachorrinha que tivemos. Era uma linguicinha, acabou ficando sem os movimentos das patas de trás. Foi bem triste. Não sou lá muito fã de bichos, mas não gosto de ver o sofrimento deles. E agora lendo teu texto, quase chorei.

Fica bem, viu? Beijo!!!

Paulo disse...

Poxa, que triste! Concordo com o comentário da Grasi, agora ela deve estar livre do sofrimento.

Força aí!

Beijos!